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08/11/2018 - 14:00

Agência de Defesa Agropecuária do Pará – ADEPARÁ   em conjunto com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento dividiu o Estado do Pará - MAPA/SFA-PA estudam  a zonificação do Estado do Pará para  o controle da Mosca Carambola. O  Plano de Trabalho do Programa de Erradicação da Mosca da Carambola no Estado do Pará se baseará no documento que sugere  um  mapeamento, com as delimitações dos status fitossanitário para a mosca da carambola, estabelecendo três zonas para o controle e proteção da proliferação da praga.  Com esta zonificação, a Adepará em ação conjunta com o MAPA pretendem bloquear a proliferação  da Mosca da Carambola para os municípios sem ocorrência.  

Para o controle os  órgãos trabalham  efetivamente nas  áreas  de  quarentena, onde existe   um fluxo constante de embarcações de todo tamanho que ligam  cidades, vilas e povoados entre o Amapá e o município de Almeirim. Nesta área  há presença de frutos  hospedeiros preferenciais,  trata-se da região fronteiriça com o estado do Amapá,  a região sob quarentena  abrange  21 municípios paraenses. A zona Tampão é composta por 79 municípios da região do Baixo Amazonas e Nordeste Paraense, são as regiões onde existem maiores fluxos de embarcações e de pessoas provenientes do estado do Amapá, alguns municípios possuem estreitas ligações com o Estado vizinho através da grande capilaridade da malha fluvial, por isso é importante ações de defesa   nesta área para barrar a praga da Mosca da Carambola.  Com essas medidas, a Adepará protege os  municípios sem ocorrência, área  composta por 52 municípios.

Veja mapa com as delimitações para a Mosca Carambola no Estado do Pará. 

 

 As medidas tomadas estão ocorrendo em cumprimento da Instrução Normativa nº 28, de 20/07/2017, do MAPA, na qual é estabelecido os procedimentos operacionais para as ações de prevenção, contenção, supressão e erradicação da praga Bactrocera carambolae.Os municípios do Polo Citrícola do Nordeste Paraense estão situados na área chamada de Zona Tampão, municípios estes constantemente monitorados pela Adepará não só para a praga da mosca da carambola mas para o Cancro cítrico, o que motivou o MAPA  a estabelecer a Área Livre de Praga para Cancro Cítrico.

Diversos fatos originam a problemática do controle da entrada da Mosca Carambola no Estado do Pará,  o que pode acarretar prejuízos ao setor produtivo, principalmente,  a partir da publicação pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, da Resolução nº 4, de 26 de outubro de 2018, que declara o Estado do Pará como área sob quarentena  para a praga Bactrocera carambolae, fechando o trânsito interestadual de frutas hospedeiras da praga, dentre elas: a laranja, prejudicando o Polo Citrícola do Nordeste Paraense.

O monitoramento da mosca-da-carambola no estado do Pará iniciou em 1996 pela Superintendência Federal de Agricultura- SFA/PA com 181 armadilhas instaladas nos principais pontos de entrada nas rotas de risco no Estado.  No estado do Amapá sua disseminação para outros municípios ocorreu de forma gradativa a partir do ano 2000 chegando ao município de Laranjal do Jari, que faz fronteira com o estado do Pará em 2004.

Origem da Mosca Carambola: 

       A praga Bactrocera carambolae, conhecida como Mosca da Carambola, é originária da ilha de Java, na Polinésia, e foi introduzida no continente americano provavelmente por via aérea espalhando-se pelo Suriname, Guiana Frncesa e tingindo o Brasil, via Estado do Amapá, em 1995. A Mosca da Carambola ataca diversas frutas, ditas hospedeiras da praga, cerca de 21: Abiu, Acerola, Ajuru, Ameixa-roxa, Amendoeira, Araça Boi, Biribá, Caimito, Carambola, Cutite, Fruta-pão, Goiaba, Goiaba-araça, Gomuto, Jaca, Jambo roa, Jambo d’água ou Jambosa, Jambo amarelo, Jambo vermelho, Jujuba ou Maçã de pobre, Jujuba chinesa, Laranja da terra, Laranja amarga, Laranja caipira, Laranja doce, (Citrus sinensis), Limão cayena, Bilimbi, Carambola amarela, Manga, Lurici ou Muruci, Pimenta de cheiro, pimenta picante ou Pimenta do diabo, Pitanga vermelha, Sapotilha ou Sapoti, Tangerina, Mexerica, Mandarina, Bergamota, Poncã, Tapereba, Cajá mirim, Cajá, Tomate, Toronja e Bacupari.

De difícil controle, visto que o inseto é originário de outros países, as moscas não encontram inimigos naturais, o que exige da pesquisa o estudo para a efetivação de um controle biológico, pois é de fundamental importância para erradicar a praga do Brasil.      "Como o problema é originário no Estado do Amapá fica difícil o controle do transito no destino Pará, face aos inúmeros portos ao longo dos rios, porquanto e extremamente necessária a fiscalização do trânsito na origem, ou seja nos portos do Amapá, como é feito" , afirma o gerente  de Defesa Animal da Adepará, Joaguim Lucas.

  Outros agravantes que preocupam a Adepará em relação  a entrada da Mosca Carambola no Estado do Pará estão relacionadas a necessidade de inspeção mais criteriosa no aeroporto do Estado do Amapá,  falta  de recursos por parte do Ministério da Agricultura, pois desde 2015 não é efetivado nenhum tipo de aporte financeiro para essas ações, sendo que nesse período o Governo do Estado  já dispendeu cerca de R$5.000.000,00 (cinco milhões de reais) nas ações do programa, entre salário de funcionários, diárias, compra de veículos, compra de equipamentos, compra de material para o monitoramento e para o combate, combustível, etc. 
 
 A Adepará  alerta  ainda para o  fato de ser hoje o Estado do Pará, o verdadeiro sentinela do Brasil no sentido de impedir a entrada da praga nas demais regiões do nosso país, já que ela representa um perigo extremo para a fruticultura brasileira, pois o mercado consumidor, principalmente o internacional, é extremamente exigente no que diz respeito a qualidade e a sanidade vegetal, impondo através das normas dos organismos internacionais da agricultura de barreiras fitossanitárias, podendo prejudicar as exportações de frutos brasileiros produzidos principalmente nas regiões sul e sudeste e ainda do Vale do São Francisco.