Sobre acessibilidade

Áreas

23/05/2017 - 16:30

Ele é gostoso de todos os jeitos: toc-toc, patinhas fritas, refogado com farofa, na moqueca e até em forma de casquinha. Cozido no tucupi, então, nem se fala! Difícil é encontrar alguém que não goste de caranguejo. Crustáceo de carne saborosa, ele é ingrediente certo na culinária, paraense ou não. No estado do Pará, o caranguejo é facilmente encontrado em regiões com áreas de mangue, especialmente na região do Salgado, no nordeste paraense.

É exatamente nesta região, repleta de praias, belezas naturais, de mariscos e pescados em abundância, que três indústrias artesanais registradas na Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), fazem o caranguejo ser o verdadeiro protagonista de um belo prato de comida. Juntas, as empresas produziram quase 16 mil quilos de carne de caranguejo somente em 2016. Carne, conhecida popularmente como massa, e patas saem de lá congeladas, prontas para fazer qualquer receita dar água na boca.

“São três estabelecimentos artesanais registrados, todos localizados em Bragança, dois na Vila do Treme e um na Vila de Caratateua. De acordo com o Decreto Estadual n.º 1.380/2015, que regulamenta a Lei Estadual n.° 7.565/2011, que dispõe sobre os produtos artesanais, o limite de produção diária é até 150 quilos. A produção deles dá uma média de mais de 5 mil quilos/ano/estabelecimento”, diz a gerente de Produtos Artesanais de Origem Animal da Adepará, Glaucy Carreira.

Foi exatamente o decreto estadual, que dispõe sobre os produtos artesanais, que contribuiu com uma verdadeira mudança na vida de José Francisco do Rosário, mais conhecido como seu Janari. “Trabalhava com caranguejo, só que de forma clandestina. Tinha dúvidas se ia conseguir receber o pagamento da mercadoria, se ia perder produtos. Foi quando compramos uma fábrica, que também não estava registrada e começamos do zero. Ajeitamos toda a documentação, licenças e alvarás. O que menos mexemos foi na estrutura física que estava praticamente pronta. Hoje somos uma nova empresa”, conta Janari, que hoje é proprietário da Milly Pescados, juntamente com a esposa Milena do Rosário Mescouto, registrada na Adepará desde abril de 2015.

Todo o processamento da carne e patas do caranguejo foi acompanhado de perto pela gerente da Adepará, Glaucy Carreira, e sua equipe. “Realizamos o trabalho feito em todas as indústrias que nos procuram ou que são procuradas por nós para sair da clandestinidade e tornar legal o seu empreendimento. Normalmente, são adaptações físicas e de procedimentos que devem ser adotados, documentos que precisam ser providenciados, além de orientações sobre boas práticas, para que todo o processo esteja de acordo com as normas sanitárias e higiênicas exigidas. O objetivo é garantir o bom trato na manipulação do alimento”, explica a médica veterinária da Adepará.  

Atualmente, Milena e Janari garantem emprego e renda a mais de 50 famílias que trabalham na fábrica localizada na Vila do Treme, a 20 km de Bragança. A comunidade é conhecida como a maior exportadora de carne de caranguejo. O caranguejo processado pela Milly Pescados vem do município de Viseu, da vila X . Após todas as etapas, entre elas, lavagem, cozimento, resfriamento e catação da carne, feito com instrumentos de aço cirúrgico e tigelas esterelizadas, o produto vira cerca de 80, 100 quilos de carne e patas de caranguejo congeladas, prontinhas para serem saboreadas.

Além da Milly Pescados, mais duas empresas registradas pela Adepará atuam em Bragança também com a comercialização de carne de caranguejo: Filé do Mangue e J. Aviz Gonçalves (Casa do Marisco).

DECRETO

O decreto, elaborado pelo Governo do Pará, trata das normas para licenciamento, registro e comercialização de produtos artesanais comestíveis de origem animal e vegetal no estado, e permitiu a comercialização de forma legal de produtos que vão de derivados do leite (em especial, o queijo do Arquipélago do Marajó), a peixes, farinha, camarões, maniva, tucupi, carne de caranguejo, polpas de frutas, água de coco, entre outros.

A lei define os produtos artesanais comestíveis, os tipos de estabelecimentos utilizados para a produção e comercialização deles e estabelece critérios, como a exigência de que os locais de manipulação dos produtos obedeçam às regras de higiene estabelecidas pelo Ministério da Saúde e de Boas Práticas de Fabricação (BPF) estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A Adepará cabe não só fiscalizar esses estabelecimentos e produtos, com o também orientar o produtor com visitas técnicas. O objetivo é fazer om que o produtor se adéque às normas e, com isso, garanta que a população tenha acesso a um produto de qualidade.