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24/05/2017 - 15:45

O Pará possui o quinto maior rebanho bovino do Brasil, com cerca de 20 milhões de animais. A maioria dessa criação é destinada à indústria de corte ou para a exportação do boi vivo. No entanto, o Estado começa a aproveitar esse potencial para ganhar destaque, também, na produção de derivados do leite, como a manteiga, o iogurte e o queijo. 

O mais famoso desses produtos é o queijo do Marajó, produzido no arquipélago a partir do leite de búfala. Nos últimos anos, diversos esforços têm sido empreendidos por parte do poder público, produtores e entidades da sociedade civil, com o objetivo de preservar essa tradição do modo de produzir, que foi sendo desenvolvido ao longo do tempo.

Entre essas iniciativas estão a criação do selo de indicação geográfica, uma espécie de marca que comprova a origem de um produto, como ocorre, por exemplo, com o queijo da Serra da Canastra, em Minas Gerais, ou o Champagne, da região de mesmo nome, na França. Outra iniciativa, que também surgiu com o objetivo de desenvolver a produção doqueijo do Marajó, foi a certificação de produtos artesanais. No entanto, ela acabou evoluindo e se transformando em uma política de Estado.“A certificação artesanal é importante porque agrega valor e credibilidade aos produtos típicos do Pará, como o próprio queijo, a farinha de Bragança, o açaí... Ela traz para a formalidade centenas de pequenos produtores e agricultores familiares, na mesma medida em que implanta requisitos mínimos de produção, que garantem a qualidade desses produtos”, explica o diretor geral da Adepará, Luciano Guedes.

Para Carlos Nunes Gouveia, o Tonga, produtor rural do município de Soure, no Marajó, iniciativas como essas ajudam a organizar e promover os produtos típicos do Estado. “Vivemos uma nova fase na produção do queijo do Marajó, com os nossos produtos sendo vendidos para todo o Estado, ganhando novos mercados, e isso, sem dúvida, teve uma contribuição fundamental dessas novas legislações. É importante que os produtores entendam que essas iniciativas vêm apoiar a nossa atividade, pois estabelecem requisitos necessários para essa produção, criando um padrão de qualidade”, observa.  

Atualmente, existem apenas 30 indústrias que processam ou beneficiam o leite no Pará, mas é uma cadeia que apresenta um grande potencial de crescimento, como explica o presidente do Sindicato dos Produtores de Laticínios do Pará (Sindileite), Antônio Mauro: “hoje, produzimos em torno de 1,2 mil litros de leite por dia, o que ainda é um valor extremamente baixo, basta observar que, apesar de termos o quinto maior rebanho, somos apenas o 15º produtor de leite do país. Nós ainda tiramos leite, não produzimos. Mas essa realidade está mudando, temos avançado e aumentado nossa produção a cada ano”, diz Mauro.

Com esse crescimento, também aumenta o número de empresas que produzem derivados do leite. Um exemplo é o município de Paragominas e região, que nos últimos anos têm se tornado um grande polo de produção de laticínios no Estado. Somente de empresas artesanais, o município concentra quatro marcas registradas na Adepará. José Ribamar da Rocha é proprietário de uma dessas empresas, a Laticínios Rocha. Ele obteve o registro como produtor artesanal em 2014 e já planeja a ampliação da produção nos próximos anos. “O registro nos permitiu comercializar a nossa produção em todo o Estado, a gente já vende nossos produtos para comércios e supermercados. Agora, nosso objetivo é aumentar nossa linha de produtos e certificar, também, iogurtes, coalhadas, manteigas”, vislumbra o produtor.