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23/05/2017 - 16:30

O Pará redobrou sua atenção diante dos focos de ferrugem asiática da soja na safra 2016⁄2017 detectados em alguns estados brasileiros. As ocorrências foram registradas em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, que faz divisa com o estado paraense.  A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é a praga de maior importância da cultura da soja na atualidade, ocasionando redução significativa na produtividade, podendo ocorrer em diferentes períodos vegetativos e reprodutivos da cultura.

No Estado do Pará, compete a Adepará, de acordo com a portaria 2634/2014, estabelecer ações e medidas de caráter técnico e administrativo, objetivando a prevenção e controle da ferrugem asiática. A cada safra, a Agência realiza, em parceria com os produtores rurais, o cadastramento, inspeções nas lavouras e fiscalização do cumprimento do vazio sanitário da soja. O Pará é o único estado brasileiro que tem três etapas do vazio sanitário, período em que os produtores têm que fazer a eliminação de qualquer planta viva de soja.

Segundo a fiscal agropecuária, engenheira agrônoma Liliana Bem Bom, o objetivo do vazio sanitário da soja é quebrar o ciclo de desenvolvimento da doença, ou seja, com a ausência de plantas vivas, o fungo não encontra seu hospedeiro, diminuindo a incidência da doença na próxima safra. “Cabe à Adepará, regulamentar e fiscalizar o cumprimento do vazio sanitário nas propriedades, mas o comprometimento dos produtores é fundamental para o sucesso do vazio sanitário”, explica.

Além do vazio sanitário, o cadastramento anual das propriedades rurais que plantam soja é importante para a execução das ações da Adepará relacionadas à cultura. “Os cadastros são obrigatórios, exatamente para nos auxiliar no monitoramento fitossanitário e na fiscalização do cumprimento do vazio sanitário. Todo sojicultor deve anualmente realizar o seu cadastro, até 30 dias após o término do plantio. Em visitas técnicas realizadas pelos fiscais e agentes da Adepará nas propriedades, são feitas as inspeções nas lavouras de soja para verificar a incidência de pragas e doenças, havendo suspeitas, são coletadas as amostras e encaminhadas aos laboratórios credenciados para sua confirmação”, explica a agrônoma.

De acordo com a legislação, o sojicultor, responsáveis técnicos, profissionais de extensão, fomento, pesquisa, ensino e laboratórios, entidades e/ou quaisquer órgãos públicos ou privados, que realizem exames ou diagnósticos para Phakopsora pachyrhizi, devem comunicar por escrito à Adepará do município onde se localiza a unidade produtiva, a suspeita ou ocorrência da ferrugem asiática da soja.

Para o diretor geral da Adepará, Luciano Guedes, a preocupação é válida e requer ações imediatas. “O estado do Pará é considerado a nova fronteira agrícola com vantagens competitivas, como solo fértil e clima favorável. Temos ocorrência de ferrugem no nosso estado vizinho, então, nada mais prudente do que redobrar a atenção para impedir qualquer foco dentro do território paraense”, diz.

PARAGOMINAS               

O estado Pará possui cerca de 270 mil hectares de lavouras de soja cadastradas na Adepará. A região que compreende Paragominas, Ulianópolis, Rondon do Pará e Dom Eliseu é a mais produtiva, sendo que o município de Paragominas é o primeiro em área plantada com 74 mil hectares.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) do Pará, Vanderlei Ataídes, para um combate efetivo é fundamental o trabalho da Adepará e o dever de casa bem feito dos produtores rurais. “O nosso clima não é favorável à ferrugem, o que já é uma vantagem para nossas safras. Mesmo assim, estamos nos precavendo fazendo aplicações de fungicida nos ciclos precoce e médio. Eu mesmo estou plantando soja agora em Paragominas. O ideal é ter produtores atentos, monitorando com bastante atenção suas lavouras. Não podemos vacilar”, avalia.

Municípios produtores:

Paragominas – 74 mil hectares

Santana do Araguaia – 41 mil hectares

Dom Eliseu – 39 mil hectares