Sobre acessibilidade

Áreas

07/11/2018 - 15:30

 

 

  1. A PRAGA:

A praga Bactrocera carambolae, conhecida como Mosca da Carambola, é originária da ilha de Java, na Polinésia, e foi introduzida no continente americano provavelmente por via aérea espalhando-se pelo Suriname, Guiana Frncesa e tingindo o Brasil, via Estado do Amapá, em 1995.

A Mosca da Carambola ataca diversas frutas, ditas hospedeiras da praga, cerca de 21: Abiu, Acerola, Ajuru, Ameixa-roxa, Amendoeira, Araça Boi, Biribá, Caimito, Carambola, Cutite, Fruta-pão, Goiaba, Goiaba-araça, Gomuto, Jaca, Jambo roa, Jambo d’água ou Jambosa, Jambo amarelo, Jambo vermelho, Jujuba ou Maçã de pobre, Jujuba chinesa, Laranja da terra, Laranja amarga, Laranja caipira, Laranja doce, (Citrus sinensis), Limão cayena, Bilimbi, Carambola amarela, Manga, Lurici ou Muruci, Pimenta de cheiro, pimenta picante ou Pimenta do diabo, Pitanga vermelha, Sapotilha ou Sapoti, , Tangerina, Mexerica, Mandarina, Bergamota, Poncã, Tapereba, Cajá mirim, Cajá, Tomate, Toronja e BACUPARI.

De difícil controle, visto que o inseto é originário de outros países, as moscas não encontram inimigos naturais, o que exige da pesquisa o estudo para a efetivação de um controle biológico, pois é de fundamental importância para erradicar a praga do Brasil.

  1. HISTÓRICO

Como frisamos acima a praga foi introduzida no Brasil, via Amapá, em 1995, sendo que em 27 de maio de 1997, através do Decreto Presidencial nº 226, o Governo Federal instituiu O Programa Nacional de Prevenção e Controle da Mosca da Carambola-PMC, inserido no Programa Regional de Erradicação da Mosca da Carambola, juntamente com a Guiana Francesa e Suriname, visando a erradicação da praga.

O PMC iniciou o controle da Bactrocera carambolae por meio de armadilhas tipo Jackson e McPhaill e pela distribuição de iscas contendo inseticida e o feromônio metil eugenol como atrativo sexual, com captura inicial de 5.000 moscas.

Foram efetuados ações de monitoramento em armadilhas pela Delegacia Federal de Agricultura do Amapá, detectando a praga em outras localidades.

Naquela altura as ações de monitoramento no Oiapoque, local de entrada da praga no Brasil, por uma equipe de apenas três pessoas, um técnico agrícola da DFA-AP, que coordenava todas as atividades, e outros dois funcionários do IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), através de sua agência regional no Suriname, o que convenhamos foi muito pouco tanto é que amosca da carambola marcou presença no Estado do Pará com o aparecimento de foco no Distrito de Monte Dourado, no dia 12 de fevereiro de 2007, com a captura de três espécimes machos, porém já em 14 de fevereiro de 2007 equipes da ADEPARA, SFA-PA e SFA-AP se deslocaram para Monte Dourado e Laranjal do Jari com o objetivo de implementar as ações do plano de controle. Ou seja em 48 horas foram adotadas as medidas de emergência. Convém observar que o Estado do Pará desde 1984 efetua o levantamento de detecção da praga, inicialmente através da SAGRI Secretaria de Estado de Agricultura hoje SEDAP.

Em 04 de junho de 2011 foi detectado foco na sede do município de Almeirim, declarado erradicado em novembro de 2012.

Em 07 de março de 2014 surgiu foco em Curralinho havendo a última captura em 14/05/2014 havendo um total de 154 exemplares capturados; em 24 de abril de 2014 foco em Porte com última captura em 16/09/2015 com total de 756 exemplares capturados, em 10 de setembro de 2014 novamente em Almeirim com última captura em 29/09/2015 com total de 03 exemplares capturados, em 20 de julho de 2015 foco em Gurupá com última captura em 17/08/2015 com total de 06 exemplares capturados, em 11 de fevereiro de 2016 foco em Breves com última captura em 02/06/2016 com total de 24 exemplares capturados, em 16 de agosto de 2018 novamente em Almeirim com a captura de 01 exemplar macho e em 28/08/2018 captura de 01 exemplar femea, e mais recentemente, 18 de outubro de 2018 focos em Breves com a captura de 07 exemplares e em 26/10/2018 captura de 01 exemplar, e por fim o mais recente, 25/10/2018 foco novo em Melgaço com a captura de 09 exemplares.

Vale salientar que em todas essas ocorrências a ADEPARA tomouas providencias emergenciais legais em sua totalidade para o efetivo controle da praga e assim evitar sua dispersão. evitar sua dispersão, colocando efetivo de pessoal qualificado, material de combate, veículos e equipamentos necessários ao sucesso das ações.

  1. FATOS

Diversos fatos originam essa problemática recorrente no Estado do Pará e que sistematicamente tem prejudicado o setor produtivo, sendo o prejuízo mais recente a publicação pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA da Resolução nº 4, de 26 de outubro de 2018, na qual o Ministério declara o Estado do Pará como área sob quarentenapara a praga quarentenária presente Bactrocera carambolae, que por consequência fechou o trânsito interestadual de frutas hospedeiras da praga, na qual está a laranja, prejudicando o Polo Citrícola do Nordeste Paraense.

Dentre outros fatos podemos citar:

  • Ser o Estado do Pará fronteiriço com o Estado do Amapá;
  • Ter o MAPA subestimado o problema da mosca quando da entrada em território brasileiro, faltando uma ação mais efetiva naquela altura;
  • Como o problema é originário no Estado do Amapá fica difícil o controle do transito no destino Pará, face aos inúmeros portos ao longo dos rios, porquanto e extremamente necessária a fiscalização do trânsito na origem, ou seja nos portos do Amapá, como é feito no aeroporto daquele estado, de forma muito tímida ainda, onde nem todos os passageiros tem suas bagagens inspecionadas;
  • Aporte de recursos por parte do Ministério da Agricultura pois, desde 2015 não é efetivado nenhum tipo de aporte financeiro para ajudar o Estado do Pará nessas ações, sendo que nesse período o Governo do Estado já dispendeu cerca de R$5.000.000,00 (cinco milhões de reais) nas ações do programa, entre salário de funcionários, diárias, compra de veículos, compra de equipamentos, compra de material para o monitoramento e para o combate, combustível, etc. É de se observar que nesse período a ADEPARA pleiteou diversas vezes verbas através de solicitação de Convênio, porém sem termos resultado positivo;
  • Entre as ações de monitoramento de armadilhas, ações de combate, inspeções, fiscalização do trânsito vegetal, educação sanitária, etc. temos envolvidos cerca de 170 servidores, entre Fiscais Estaduais Agropecuários Engenheiros Agrônomo, Agentes Fiscais Agropecuários Técnicos Agrícolas, Auxiliares de Campo, Assistentes Administrativos, uma vez que que a legislação federal hoje exige o monitoramento das armadilhas da mosca da carambola nos 144 municípios do Estado;
  • O fato de ser hoje o Estado do Pará o verdadeiro sentinela do Brasil no sentido de impedir a entrada da praga nas demais regiões do nosso país, já que ela representa um perigo extremo e mortal para a fruticultura brasileira, pois o mercado consumidor, principalmente o internacional, é extremamente exigente no que diz respeito a qualidade e a sanidade vegetal, impondo através das normas dos organismos internacionais da agricultura de barreiras fitossanitárias, podendo prejudicar as exportações de frutos brasileiros produzidos principalmente nas regiões sul e sudeste e ainda do Vale do São Francisco.
  1. CONCLUSÃO

A equipe técnica da ADEPARA em conjunto com o MAPA/SFA-PA estará nos próximos dias realizando as auditorias nas diversas regiões do estado conforme o documento PLANO DE TRABALHO DO PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DA MOSCA DA CARAMBOLA NO ESTADO DO PARÁ, encaminhado aquele ministério, onde foi sugerido novo mapeamento, com as delimitações dos status fitossanitário para a mosca da carambola, estabelecendo Área sob quarentena, Zona Tampão e municípios sem ocorrência em UF com ocorrência, para o cumprimento da Instrução Normativa nº 28, de 20/07/2017, do MAPA, na qual é estabelecido os procedimentos operacionais para as ações de prevenção, contenção, supressão e erradicação da praga Bactrocera carambolae.

Os municípios do Polo Citrícola do Nordeste Paraense estão situados na área chamada de Zona Tampão, municípios estes constantemente monitorados não só para a praga da mosca da carambola mas para o Cancro cítrico, o que motivou o MAPAa estabelecer a Área Livre de Praga para Cancro Cítrico.