A coleta de materiais biológicos realizada em granjas comerciais e aves de subsistência serviu para confirmar a ausência do vírus no estado.

A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ) concluiu o terceiro ciclo de vigilância do Plano Nacional de Vigilância Ativa para Influenza Aviária (IA) e Doença de Newcastle (DNC), doenças respiratórias que podem acometer tanto aves silvestres quanto domésticas.
Realizado entre fevereiro e maio de 2025, o 3º Ciclo tem como objetivo a detecção precoce da IA e DNC e serve para comprovar a ausência dessas enfermidades no plantel avícola comercial e de subsistência.
Ao todo, foram 98 estabelecimentos industriais vistoriados em todo o Estado— sendo 1 matrizeiro, 52 granjas de corte e 46 de postura — além de 264 coletas realizadas em criações de subsistência, totalizando cerca de seis mil amostras analisadas. Durante os três ciclos finalizados, foram vistoriadas criações em 23 municípios, com análise de 1929 amostras.
Na avicultura industrial, foram pesquisadas 1.067 animais como galinhas/frangos e patos. Já na avicultura de subsistência, além das galinhas/frangos, o estudo abrangeu patos, marrecos, gansos e perus.
Na vigilância ativa da avicultura industrial, 80,8% das granjas e 54,2% das propriedades de subsistência estavam localizadas na rota migratória conhecida como nordeste atlântica, uma das principais rotas migratórias de aves do mundo que no Brasil compreende a costa do Amapá, a região conhecida como salgado paraense e as reentrâncias maranhenses. Nestas áreas, as aves fazem pousos para alimentação e descanso.
O trabalho envolveu profissionais de sete regionais da ADEPARÁ localizadas nos municípios de Capanema, Xinguara, Rondon do Pará, Santarém, Paragominas, Tucuruí e Castanhal.

Aves de subsistência - A vigilância ativa em aves de subsistência foi realizada em áreas de maior risco de introdução da Gripe Aviária. O corpo técnico da ADEPARÁ visitou 24 estabelecimentos em 14 municípios abrangidos por quatro unidades regionais da Agência. Foram coletadas 372 amostras de cinco espécies (galinhas/frangos, patos, marrecos, perus e gansos). A porcentagem de estabelecimentos amostrados por rotas migratórias ficou em 54,2% na rota nordeste atlântica, 41,7% na rota amazônica e 4,2% na rota Brasil Central que inclui espécies de aves que se reproduzem na América do Norte e passam o período reprodutivo na Amazônia, as que migram dentro da América do Sul e aquelas que usam o clima úmido e as regiões costeiras da Amazônia como refúgio.
Durante a vigilância realizada pela ADEPARÁ, nenhum caso de gripe aviária ou Doença de Newcastle foi detectado no Estado.
Desde 2022, os ciclos do plano de vigilância são realizados anualmente. As propriedades vistoriadas são selecionadas com base em critérios técnicos definidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), como a presença de aves migratórias de importância epidemiológica, densidade populacional avícola e tipo de criação. São contempladas granjas de corte, de reprodução, de postura e criações de fundo de quintal.

O plano tem como objetivos principais, a detecção precoce de casos em aves domésticas e silvestres e a comprovação de ausência das doenças conforme exigências internacionais, explica a fiscal agropecuária Lettiere Lima, gerente do programa estadual de sanidade avícola.
“O plano de vigilância nacional possui 5 componentes. A Adepará só não realiza o componente 5, pois não possuímos compartimentação de aves na nossa cadeia produtiva. Mas realiza os componentes 3 e 4, que são as vigilâncias ativas em que o serviço veterinário oficial vai até as propriedades e coleta material para pesquisa da presença ou ausência dos vírus da influenza aviária e doença de Newcastle. Nós também executamos os componente 1 e 2, que são respectivamente a investigação de casos suspeitos de doença respiratória e nervosa em aves e a mortalidade excepcional de aves silvestres. Então, nós cumprimos todo o cronograma do Ministério. É um trabalho que alcança um estado gigantesco, com grande diversidade, como o Pará”, destacou a gerente.