Modernização, identidade territorial e agroindustrialização marcam trajetória da Agência,
referência nacional na defesa da saúde animal e vegetal
A Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) completa, nesta quarta-feira (17), 23 anos de atuação estratégica
em prol da sanidade animal e vegetal, da proteção da biodiversidade e da valorização das cadeias produtivas da
agricultura familiar. Fundada em 2002, a Agência se tornou referência nacional ao articular segurança sanitária,
inovação tecnológica e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da sociobioeconomia amazônica.
Ao longo de sua trajetória, a Adepará consolidou um modelo institucional que alia modernização,
vigilância agropecuária, apoio técnico e articulação territorial, promovendo um agro de baixo impacto
ambiental e alto retorno social.

Sanidade e rastreabilidade: segurança para o produtor e para o consumidor
Entre os marcos mais recentes, destaca-se a conquista da certificação internacional de zona livre de febre aftosa
sem vacinação, obtida em 2025. O reconhecimento abriu caminho para a ampliação das exportações de carne
paraense, assegurando padrões sanitários rigorosos exigidos por mercados internacionais.
Outro avanço importante é a implementação do Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), por meio do
programa Pecuária Sustentável que já conta com mais de 100 mil animais identificados, ampliando a gestão da propriedade,
transparência e a segurança sanitária da cadeia produtiva da pecuária.
Apoio à agroindustrialização e fortalecimento das cadeias locais
A Agência tem desempenhado papel fundamental no incentivo à formalização de agroindústrias familiares, promovendo
a agregação de valor e a valorização dos saberes tradicionais.
Atualmente, o Pará tem 169 estabelecimentos registrados no Sistema de Inspeção Estadual (SIE), sendo 32 com
SISBI-POA (comercialização nacional), além de 78 estabelecimentos de produtos artesanais de origem animal e
mais de 300 agroindústrias de mandioca e polpas de frutas com selo artesanal vegetal.
Regiões produtoras como a Transamazônica e o Xingu já começam a se destacar também na produção de
chocolates com selo artesanal, impulsionando o valor agregado de cadeias produtivas locais e fortalecendo
a identidade amazônica no mercado nacional.
“Agroindustrializar com identidade também é agir pelo clima. As agroindústrias familiares promovem
cadeias curtas, que reduzem transporte, diminuem emissões e fortalecem as economias locais.
Quando formalizamos esses empreendimentos, garantimos segurança sanitária e legalidade
sem apagar a cultura, ao contrário, damos a ela condições de crescer. Valorizar produtos regionais
é preservar a floresta, desenvolver o território e cuidar do clima cuidando das pessoas”, afirma
Joselena Tavares, gerente de inspeção da Adepará.
Presença territorial e estrutura técnica qualificada
A Adepará mantém uma das maiores estruturas de defesa agropecuária do País. São cerca de mil servidores,
entre eles 172 médicos veterinários e 100 engenheiros agrônomos, com 176 unidades físicas distribuídas
estrategicamente em todos os municípios paraenses.
Nos últimos anos, foram inauguradas novas sedes próprias em Juruti, Castanhal e Soure, além da aquisição
de lanchas e veículos para reforçar o atendimento ao produtor em áreas remotas, especialmente em territórios
ribeirinhos e de produção familiar.
“Nós temos uma missão bem definida, que é executar ações de sanidade e qualidade para colocar o
nosso agronegócio, tanto no aspecto empresarial quanto da agricultura familiar, cada vez mais pujante,
competitivo e sustentável”, destaca a diretora de defesa e inspeção vegetal, Lucionila Pimentel.
Educação sanitária e combate a pragas
A educação sanitária também ganha força como instrumento estratégico de prevenção contra pragas para
ampliar a defesa fitossanitária. A I Caravana da Educação contra a Vassoura-de-Bruxa da Mandioca, realizada
em Cametá, mobilizou comunidades, escolas e especialistas para proteger uma das culturas mais simbólicas da Amazônia.
“Educar é prevenir. Nossas ações aproximam o cidadão da defesa agropecuária, criando uma rede de proteção
ativa contra pragas e doenças " , afirma Carlos Alexandre Mendes, gerente de Educação Sanitária da Agência.

Tecnologia, inovação e energia limpa
Sob a gestão do diretor-geral e fiscal agropecuário Jamir Macedo, a Adepará tem apostado na inovação como
pilar de sua atuação. Sistemas digitais para comunicação, gestão documental e rastreabilidade de produtos
como dendê e açaí estão modernizando os processos internos e a relação com os produtores.
Em 2025, a Adepará entregou a primeira usina de energia solar, localizada em Santa Izabel do Pará, com
capacidade estimada de geração de 1,4 milhão de kWh por ano. A iniciativa reduz custos operacionais e
contribui diretamente para a mitigação das emissões institucionais.
Além disso, o novo Centro de Inteligência e Corregedoria passou a funcionar em um prédio reformado,
com foco na ampliação do controle interno, na transparência e na integridade das ações da Agência.
“Nosso trabalho é diário, lado a lado com o produtor, garantindo rebanhos livres de doenças, lavouras
protegidas e alimentos seguros. A defesa agropecuária é a base de um agro sustentável, resiliente
e competitivo” , destaca Jamir Macedo, que também preside o Conselho Gestor do Programa
Pecuária Sustentável do Pará (COGES/Pecuária).

Um legado que fortalece a Amazônia
A veterinária Maria Teresa Santos, uma das pioneiras da Agência, resume a trajetória da Agência com orgulho:
“Vi a Adepará nascer e me orgulho de fazer parte dessa história. Foram muitos desafios e muitas conquistas,
sempre com o mesmo objetivo: proteger e fortalecer a produção agropecuária do Pará.”
Com 23 anos de história, a Agência segue firme em sua missão institucional: proteger a produção agropecuária,
garantir a segurança alimentar e promover o desenvolvimento sustentável dos territórios amazônicos —
onde a floresta, alimento e identidade caminham juntos.