Atualmente, o Estado conta com cerca de 400 agroindústrias produzindo alimentos seguros
e de qualidade, impulsionadas por políticas públicas inovadoras de inclusão produtiva.
O Pará apresentou, no segundo dia da COP30, seu protagonismo na promoção de uma bioeconomia
sustentável e inclusiva, que fortalece a agricultura familiar sem causar desmatamento. Atualmente, o
Estado conta com cerca de 400 agroindústrias produzindo alimentos seguros e de qualidade,
impulsionadas por políticas públicas inovadoras de inclusão produtiva.
Pioneiro na implementação do Selo Artesanal Vegetal, o governo do Pará, por meio da Agência de
Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), apresentou, na conferência, os resultados dessa política
que estimula a agroindustrialização no campo e fomenta a produção sustentável de alimentos.
O tema foi abordado no painel “Selo de Inspeção Artesanal Vegetal: inclusão produtiva e resiliência
climática a partir do registro de estabelecimentos de alimentos tradicionais na Amazônia paraense”,
realizado nesta segunda-feira (10), no Pavilhão Pará, na zona verde.
O painel reuniu representantes da Agência de Defesa, do terceiro setor e da agricultura familiar,
que compartilharam experiências e perspectivas sobre o fortalecimento da bioeconomia amazônica.

A gerente de Inspeção e Classificação Vegetal da Adepará, Joselena Tavares, explicou que a política do
selo artesanal vegetal tem sido implementada em diversas regiões do Estado e destacou o caráter
inovador da iniciativa.
“A agroindustrialização surge como alternativa para aumentar a vida útil dos produtos, garantir renda aos
produtores durante todo o ano e evitar o desperdício de alimentos. Assim, geramos mais renda no campo e
reduzimos a pressão sobre a floresta. Não existe transição climática justa sem inclusão produtiva”, ressaltou
a agrônoma.
Segundo a agrônoma, o registro formal também combate a clandestinidade e agrega valor aos produtos,
permitindo que pequenos produtores deixem a informalidade e conquistem reconhecimento legal.
“É um modelo amazônico que pode ser replicado em outros estados e até em outros países. Já recebemos
comitivas de várias regiões interessadas em adotar essa experiência”, afirmou.

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Edivan Carvalho, reforçou a
importância das parcerias para o fortalecimento dessa política pública e seus impactos ambientais positivos.
“Essas agroindústrias evitam a abertura de novas áreas de cultivo, aproveitam sistemas agroflorestais e
utilizam fontes de energia limpa, como a solar, com equipamentos adequados às pequenas produções”,
explicou. Atualmente, 12% das agroindústrias registradas na Adepará mantêm parceria com o Ipam e
receberam apoio técnico para o processo de regularização.
Entre os estabelecimentos registrados, mais de 170 trabalham com derivados da mandioca, como farinhas,
farofas, tucupi e goma de tapioca. Produtos da bioeconomia paraense que hoje ocupam espaço nas prateleiras
de grandes redes de supermercados e até em mercados internacionais.
Rastreabilidade e qualidade garantida
O painel apresentou casos de sucesso da agroindustrialização paraense, que assegura a rastreabilidade
da matéria-prima até o produto final. Um dos exemplos é a Farinha Quebec, produzida em Tomé-Açu,
que já é exportada para cinco países. O empreendimento é liderado pela agricultora Ginelda Lima, que
coordena uma rede com mais de 50 fornecedores de mandioca e já possui dez produtos registrados.
“O selo artesanal agregou valor ao meu produto e melhorou a nossa qualidade de vida. Meus clientes consomem
com confiança e carinho, porque sabem que a farinha é feita com responsabilidade e seguindo todas as normas
de higiene”, comemora Ginelda.
Como obter o registro
Para receber o Selo Artesanal Vegetal, o produtor precisa se adequar às Boas Práticas de Produção, realizando
melhorias nas instalações, garantindo higiene na manipulação e transporte adequado dos alimentos. A Adepará
oferece visitas técnicas e orientações para auxiliar os produtores no cumprimento das normas sanitárias,
assegurando alimentos de qualidade à população.
Os interessados em registrar sua agroindústria e comercializar seus produtos legalmente em todo o estado
devem procurar o escritório da ADEPARÁ no município onde atuam.
Adepará na COP30

A Adepará segue com programação na COP30. Na próxima semana, a Agência participará de debates
sobre saúde animal e rastreabilidade da pecuária, com foco nas ações do Programa Pecuária Sustentável
do Pará, que reforça o compromisso do estado com a produção responsável e a preservação ambiental.
Sobre a Adepará
A Adepará é responsável pela execução das políticas públicas de defesa sanitária animal e vegetal, inspeção
de produtos de origem agropecuária e fiscalização do trânsito agropecuário. Sua atuação garante a segurança
alimentar, a sustentabilidade produtiva e o fortalecimento da economia rural no estado.
Com presença em todos os municípios paraenses, a Adepará tem papel estratégico na promoção de
uma agropecuária rastreável e sustentável.
Programação – Adepará na COP30
📍 10/11 | 17h30 | Sala Castanheira – Pavilhão Pará (Green Zone)
Painel: Guia de Trânsito Vegetal (GTV) – Rastreabilidade, inclusão produtiva e sustentabilidade
na agricultura familiar amazônica.
📍 11/11 | 9h30 | Sala Seringueira – Pavilhão Pará (Green Zone)
Painel: Selo de Inspeção Artesanal Vegetal – Inclusão produtiva e resiliência climática a partir
do registro de alimentos tradicionais amazônicos.
📍 13/11 | 17h30 – 18h30 | Green Zone
Roda de conversa: Raiva: o elo invisível entre humanos, animais e ambiente.
📍 16/11 | 8h | Inhangapi (visita técnica)
Tema: Pecuária sustentável – visita com o Ministro da Noruega.
📍 17/11 | 14h | Agrizone
Apresentação: Rastreabilidade e desenvolvimento da defesa agropecuária do Pará – reunião
com diretoria da OMSA.
📍 18/11 | 7h – 12h30 | Inhangapi e Castanhal
Visitas técnicas: Propriedade rural e frigorífico Mercúrio – participação da diretoria da OMSA.
📍 19/11 | 15h | Auditório Faepa
Roda de conversa: Saúde animal, saúde de todos.
📍 20/11 | 11h – 12h | Blue Zone
Visita oficial da diretoria da OMSA.