Evento tem grande participação de agricultores familiares, gestores públicos e
representantes de organizações da sociedade civil
Com o auditório lotado durante todo o dia, o Fórum Internacional da Agricultura Familiar e Comunidades Tradicionais
promoveu intensos debates sobre soluções sustentáveis para a produção de alimentos e a restauração dos biomas b
rasileiros. O evento, realizado na Embrapa Amazônia Oriental, integra a programação especial da instituição durante a COP30.
No período da tarde, o painel “Sistemas Agroflorestais e Restauração Inclusiva: Alternativas para a Transição Climática”
reuniu especialistas de diferentes instituições e países. Sob a moderação de Débora Veiga (Embrapa), participaram
Vicente Cirino (Instituto Vida em Sintropia da Amazônia), Ivanice Carvalho (Secretaria de Desenvolvimento
Agropecuário e da Pesca do Pará – Sedap), Juan Pablo Puentes (ONF Andina) e Anabele Gomes (Rede de Sementes do Cerrado).
Com grande participação de agricultores familiares, gestores públicos e representantes de organizações da
sociedade civil, os painelistas apresentaram experiências de sistemas agroflorestais (SAFs) que aliam produção de alimentos,
recuperação ambiental e geração de renda — incluindo iniciativas de manejo integrado com pecuária sustentável,
implementadas em regiões da Colômbia.

Outro destaque foi o conceito de restauração ecológica inclusiva, que valoriza o protagonismo das comunidades
locais em todas as etapas do processo. Essa abordagem reconhece e integra os saberes tradicionais,
promovendo benefícios sociais, econômicos e ambientais. Um dos exemplos vem do Cerrado, a savana
mais biodiversa do planeta, que abriga cerca de 12.600 espécies em uma área equivalente à metade da Amazônia.
"Precisamos pensar o país como um todo, unindo biomas e buscando soluções conjuntas que fortaleçam o
território nacional”, destacou Anabele Gomes, presidente da Rede de Sementes do Cerrado.
“Quando juntamos conhecimento ancestral, políticas públicas e cooperação entre governos e comunidades,
conseguimos enfrentar a crise climática e retornar aos nossos territórios mais fortalecidos”, completou
Vicente Cirino, do Instituto Vida em Sintropia da Amazônia.
Cadeias produtivas e agroindustrialização
Outro painel, mediado por Lucionila Pimentel, diretora de Defesa e Inspeção Vegetal da Agência de Defesa
Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), apresentou experiências bem-sucedidas de agroindustrialização
e fortalecimento das cadeias produtivas em diferentes regiões do Pará e de Minas Gerais, revelando a força
de cooperativas e associações.
As discussões ressaltaram a importância da agregação de valor aos produtos da agricultura familiar como
caminho para a autonomia econômica das comunidades rurais.
Para o Secretário da Agricultura Familiar do Pará, Cássio Pereira, "Os impactos das mudanças climáticas
já são evidentes, estão transformando os sistemas agroalimentares no planeta e as estratégias adotadas
pelos agricultores familiares e as comunidades tradicionais para produzir alimentos e conservar florestas são as mais adaptadas"
Programação e objetivos do Fórum
Ao longo de cinco dias, o Fórum Internacional da Agricultura Familiar e Comunidades Tradicionais realiza 14 painéis com
mais de 80 especialistas nacionais e internacionais. A programação aborda temas centrais para o futuro da agricultura
familiar e dos povos tradicionais diante da emergência climática, como resiliência climática, manejo de recursos hídricos,
sucessão familiar, juventude rural, energia, conectividade e sistemas agroflorestais.
O evento é uma realização do IPAM, Semas, Secretaria de Agricultura Familiar e Governo do Pará,
com o apoio da Embrapa Amazônia Oriental.
Serviço:
Fórum Internacional da Agricultura Familiar e Comunidades Tradicionais
De 13 a 17 de novembro, na AgriZone – Auditório Condurú,
Embrapa Amazônia Oriental (Travessa Dr. Enéas Pinheiro, Belém-PA)
Programação completa, acesse aqui.